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Comunicado

BANDIDO DA LUZ VERMELHA

Equipe de Estagiários de História e Direito da Coordenadoria de Gestão Documental.

A década de 1960 ficou marcada como anos de “chumbo” – um período com acontecimentos importantes e decisivos, como foi a eleição de Jânio Quadros, o Tropicalismo, a Luta Estudantil, dentre outros; enfim, época também de um país que se viu mergulhado na Ditadura Militar. Em meio a tanta efervescência, surgiu a expressão Anos Rebeldes, que “ironicamente” mostrou ao Brasil, a figura emblemática de João Acácio Pereira da Costa, que passou a ser chamado vulgarmente pelo apelido de o “Bandido da Luz Vermelha”.

A apresentação descritiva dos dados biográficos realizados à época o identifica como sendo filho de Laudelino Pereira da Costa, natural de Joinville, Estado de Santa Catarina, funcionário do Serviço Nacional da Malária, falecido de tuberculose pulmonar, e de Antônia Pereira da Costa, natural do Paraná, prendas domésticas, falecida de mal de parto – os pais deixaram dois filhos, João Acácio Pereira da Costa e Joaquim Tavares da Costa, sendo Joaquim um ano mais velho. Na época do falecimento da mãe e do pai, ambos contavam com quatro e cinco, cinco e seis anos de idade respectivamente.

Os dados biográficos apontam para uma infância, na qual, João Acácio e o irmão teriam uma vaga lembrança da mãe, como uma mulher doente e de cama, e que às vezes imputava-lhes castigos, deixando-os de joelho. O pai, vitimado por complicações pulmonares, chegou a ser hospitalizado, tornando difícil, o contato com os filhos. Neste período, João e Joaquim foram submetidos aos cuidados de um casal de tios – nesta fase relata maus tratos destinados a ele e ao irmão, o que fez provocar desafetos e criar motivos determinantes que resultou na fuga de ambos.

O início da delinquência foi impulsionado pela necessidade de se alimentar; os primeiros delitos garantiam-lhe o café e o pão. Neste momento, percebe-se o desejo constante pelo cometimento de pequenos furtos e certos lampejos em relação à questão da aparência ao observar que as crianças andavam bem vestidas. Aos dez anos de idade, se dizia ficar “bacana”, quando bem vestido – que isso poderia lhe render namoro com algumas meninas, e assim, levá-las ao cinema. Por tal motivo, as lojas de roupas também passaram a ser alvo de furtos.

Ainda muito jovem, a vida pregressa de João Acácio oscilava entre delegacia e fuga, que se repetia entre Joinville, Blumenau e cidades adjacentes. Chegou a conseguir alguns empregos em lavanderias, construiu bons relacionamentos; porém, não conseguia se firmar. Aos dezessete anos de idade roubou um veículo para facilitar no roubo de um cofre em uma casa.

Aos dezenove anos instalou-se em São Paulo. Em meio às atividades ilícitas, sempre mapeou e arquitetou seus planos, tendo como alvo predileto, residências localizadas em bairros nobres, pois lá estariam os objetos que tanto lhe interessava. Foi através do seu modus operandi que recebeu o nome de o “Bandido da Luz Vermelha”, por ostentar uma lanterna vermelha, sempre que praticava os delitos.

João Acácio foi condenado em 89 processos, que lhe renderam mais de 300 anos de pena. Após cumprir 30 anos de prisão, ganhou liberdade e retornou à Joinville. Passados pouco mais que cinco meses, foi encontrado morto na cozinha da casa onde morava. O acusado pelo assassinato foi um pescador de nome Nelson Pinzegher. Em 10 de Novembro de 2004, Nelson foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Joinvile, Santa Catarina. A promotoria pediu a absolvição por legítima defesa.


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