A Escola Judicial dos Servidores (EJUS) realizou no dia 28 de maio a palestra on-line Maio Amarelo 2026 – no trânsito, enxergar o outro é salvar vidas, com exposições da coordenadora-geral da Escola Pública de Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), Fabiana Paim Andrade, e do chefe do Serviço de Desenvolvimento de Competências Específicas da Escola Pública de Trânsito do Detran-SP, Thiago Vieira Mathias de Oliveira. O evento foi conduzido pelo servidor Pedro Cristóvão Pinto.
Fabiana Andrade explicou que o movimento Maio Amarelo foi criado para fomentar a conscientização sobre a segurança viária e a necessidade de redução de mortes no trânsito, lembrando que o amarelo representa atenção e advertência na sinalização viária. Ela destacou o tema da campanha deste ano, “no trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, e a atuação do Observatório Nacional de Segurança Viária, responsável pela difusão do movimento no Brasil. Enfatizou a importância do respeito às regras de trânsito e da educação para a segurança viária, frisando que ela não é exclusividade de escolas de trânsito e deve começar em casa, nos exemplos dos pais. “Obedecer às regras de trânsito é uma escolha diária. A segurança viária começa no comportamento”, frisou.
A expositora também salientou a necessidade de despertar a percepção de risco nas pessoas, porque elas estão expostas todos os dias no trânsito, e da reflexão sobre o quanto as escolhas de cada um repercutem em violência no trânsito. Ela informou que o Brasil possui o 4º trânsito mais violento do mundo, com mais de 36 mil mortes por ano, o que representa mais do que muitas guerras, além de 500 mil impactadas, sendo 300 mil com sequelas. Observou que as políticas viárias do país foram projetadas para a fluidez dos carros, deixando as pessoas em segundo plano. Nesse sentido, ressaltou a importância da adequação da velocidade das vias, bem como de se privilegiar o transporte público. Enfatizou que o papel da fiscalização é inibir o comportamento infrator, ponderando que quanto mais bem fiscalizado o trânsito, mais seguro. “A fiscalização salva vidas”, afirmou. Destacou também a meta da segurança viária de zero óbitos, inspirada pela teoria Visão zero, de origem sueca.
Thiago Oliveira apresentou dados sobre a mortalidade no trânsito e discorreu sobre iniciativas voltadas à redução de mortes e lesões graves nas vias, em especial em relação aos usuários vulneráveis, como pedestres, ciclistas e motociclistas. Citou dados do Global Status Report on Road Safety, de 2018, que apontam que cerca de 1,9 milhão de pessoas morrem anualmente no trânsito, sendo a principal causa de mortes de pessoas de cinco a 29 anos. Apresentou também estudos que relacionam alterações de velocidade a taxas de colisões, lesões e óbitos, como o da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mostra que uma variação de 30 para 50 Km/h aumenta em quase 80% a probabilidade de lesão fatal de pedestre em caso de atropelamento; e o manual de segurança viária da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que indica que um aumento de 10% da velocidade pode levar a um aumento de mais de 40% de colisões fatais ou com lesões graves.
Ele explicou que a ONU elencou cinco fatores de risco: velocidade excessiva inadequada, condução sob o efeito de álcool e outras drogas, não uso de cinto de segurança, não uso de capacete e distração ao volante. Citou pressupostos da Visão Zero, como a responsabilidade compartilhada entre poder público, usuários e demais atores envolvidos no sistema; a ideia de que o erro humano deve ser previsto pelo desenho do sistema viário; e a noção de que nenhuma morte ou lesão grave é aceitável. Destacou a meta global da ONU de redução de 50% das mortes no trânsito, adotada pelo movimento Maio Amarelo, e falou sobre o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans) e sobre o Plano de Segurança Viária (PSV), implantado no estado de São Paulo, que tem a meta de redução de 50% das mortes no trânsito até 2030, o que equivale a preservar cerca de 19 mil vidas. Citou também a plataforma Infosiga do Detran-SP, enfatizando a importância dos dados para a orientação de políticas públicas, desenho viário e ações de educação. Por fim, explicou questões relacionadas aos crimes de trânsito, diferenciando infrações administrativas, ilícitos civis e condutas tipificadas pelo Código de Trânsito Brasileiro.
MA (texto) / Reprodução (imagem)