Notícia

Mais de 300 integrantes do TJSP se cadastram como doadores de medula óssea
18/09/2018

A Coordenadoria de Apoio aos Servidores (CAPS), em parceria com a Escola Judicial dos Servidores (EJUS), Associação de Medula Óssea (AMEO), Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP) do Tribunal de Justiça de São Paulo, realizou nesta terça-feira (18) evento para cadastramento de doadores de medula óssea. Mais de 300 pessoas se dispuseram a ajudar e agora tem a possibilidade se tornarem doadoras para alguém que necessita. Durante toda a manhã foram realizadas minipalestras sobre o tema, intituladas “A Vida não pode ser uma Loteria”.

A juíza Fabiana Kumai, da Vara da Região Sul 2 de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, fez a abertura do evento. A magistrada contou que um de seus sobrinhos se curou de uma leucemia graças ao transplante de medula. Ciente da importância deste tipo de iniciativa, ela agradeceu àqueles que se tornaram novos possíveis doadores e cumprimentou a equipe do hemocentro da Santa Casa de Misericórdia, responsável pelos cadastros. “Venho aqui representando nosso egrégio Tribunal, que abraçou essa campanha em prol da doação de medula óssea, uma causa nobre”, destacou.

Reinaldo Gomes, integrante da ONG AMEO (Associação da Medula Óssea), ministrou as palestras. Desde que perdeu um filho com leucemia, contou ele, “resolvi abraçar essa causa em nome dele e de outros que precisam”. Logo no início de sua fala, buscou desmentir um conceito que, segundo ele, é amplamente difundido e atrapalha o incentivo a novas doações: “Medula óssea é uma coisa e medula espinhal é outra totalmente diferente. Ninguém vai mexer na coluna vertebral de ninguém”. Explicou que a medula óssea é um tecido localizado na parte interna dos ossos, onde ocorre a produção de sangue. Todos aqueles que sofrem com doenças que comprometem essa produção, como leucemia e certos tipos de linfomas, precisam do transplante para não irem a óbito.

Qualquer pessoa entre 18 e 54 anos pode doar, desde que não tenha passado por sessões de quimioterapia, não esteja contaminada com o vírus HIV, não tenha sofrido com hepatite dos tipos B e C ou seja diabética que faz uso de insulina. O transplante só é efetivo se o sangue do doador for compatível com o do paciente. Por isso, no ato do cadastramento é coletada uma amostra, que depois passa por teste de compatibilidade. Assim que é encontrado um paciente compatível, o doador é contatado. O banco onde são mantidos os dados dos possíveis doadores brasileiros é o REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), que está interligado a bancos de dados do mundo todo.

Luiz Fernando Afonso, ex-paciente que há 5 anos realizou o transplante e se curou de uma leucemia, também compartilhou sua experiência. Após curar-se, passou a trabalhar na ONG Pro Medula para incentivar as doações. “Nosso banco é o terceiro maior do mundo, temos aproximadamente 4 milhões e 800 mil pessoas cadastradas. Mesmo assim a chance de se encontrar uma medula compatível hoje é de 1 para 100 mil. O que falta é a propagação da informação para a pessoa se cadastrar. Nosso povo é solidário, o que falta é o incentivo”.

Solidariedade não faltou a Simone Satie Korozaki, servidora do Centro Administrativo da Consolação. Assim que soube, através das redes sociais do Tribunal de Justiça, que ocorreria o cadastramento de possíveis doadores, não teve dúvidas: se inscreveu no evento. “Eu ficarei muito satisfeita se conseguir ajudar alguém”, disse.

O transplante é um procedimento simples e seguro. Há duas formas de realiza-lo. A primeira é através da aférese, mecanismo semelhante ao utilizado na hemodiálise e que dura 3 horas. A segunda é através da punção direta na medula óssea, que é feita com uma agulha na região dos glúteos e tem 40 minutos de duração. O transplante pode tratar cerca de 80 tipos de doenças que afetam as células do sangue em diferentes estágios e faixas etárias. As mais frequentes são: linfoma, deficiência do sistema imunológico, anemias graves e leucemia (este último com maior incidência em crianças e adolescentes).

 

Comunicação Social TJSP – AS (texto) / KS (fotos)

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