TJSP homenageia 94 anos da Revolução de 1932 e celebra ideais democráticos
Encenação realizada no Palácio da Justiça.
“A trincheira de 32 foi a pia batismal da democracia em nossa terra”. Com essa frase, o poeta Paulo Bomfim, falecido em 2019 e cujo centenário de nascimento ocorre em setembro deste ano, sintetizou o espírito da Revolução Constitucionalista. Ontem (30), mais uma vez, o Museu do Tribunal de Justiça, em parceria com a Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) e com a Assessoria Policial Militar do TJSP, promoveu a tradicional encenação em memória ao movimento paulista, que completa 94 anos nesse mês. O evento foi conduzido pelo presidente do TJSP, desembargador Francisco Eduardo Loureiro.
A encenação, carregada de simbolismo, contou com a participação da Banda do Corpo Musical da PMESP. Cadetes da Academia da Polícia Militar do Barro Branco interpretaram, no Salão dos Passos Perdidos do Palácio da Justiça, algumas cenas relativas ao deflagrar da guerra, como a manifestação dos paulistas em 23 de maio de 1932, que pedia a saída do presidente Getúlio Vargas e a volta das eleições. A passeata terminou de forma trágica: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram mortos, enquanto Alvarenga ficou gravemente ferido e morreu meses depois. O episódio se tornou o estopim do movimento.
“Os 94 anos da Revolução de 1932 não são uma comemoração de forças progressistas ou de forças conservadoras, mas sim de forças democráticas”, afirmou o presidente Francisco Loureiro. “Fomos derrotados no campo de batalha, mas obtivemos uma vitória expressiva, uma vez que, dois anos após o término da Revolução, foi editada uma nova Constituição no país”, completou.
O TJSP teve papel de destaque durante a guerra. O presidente do Tribunal à época, Manoel da Costa Manso, fez discurso, no mesmo Palácio em que hoje a homenagem é prestada, a favor dos ideais dos revolucionários. O pronunciamento foi veiculado por rádio durante o conflito armado, em 31 de agosto do mesmo ano. A Revolução durou 87 dias e contabilizou – oficialmente – 934 mortos, ainda que dados não oficiais apontem para até 2,2 mil fatalmente feridos.
“Nós não queremos apenas guardar na memória, queremos mostrar que estão vivos os princípios democráticos que motivaram essa Revolução”, expressou o coordenador do Museu do TJ, desembargador Octavio Augusto Machado de Barros Filho. Para o coronel PM Emerson Massera Haddad Ribeiro, que representou a comandante-geral da Polícia Militar, coronel PM Glauce Anselmo Cavalli, a revolução paulista produz ecos ainda hoje. “Se estamos aqui em segurança, com tranquilidade, podendo expressar a nossa opinião, nós devemos isso em grande parte aos fatos ocorridos em 1932”, observou.
O Museu do TJSP guarda o discurso do ministro Manoel da Costa Manso e disponibiliza também o inquérito policial de 23 de maio de 1932 em seu acervo digital. O inquérito físico está exposto no Palacete Conde de Sarzedas, sede do Museu. Há ainda uma exposição virtual sobre a Revolução, com cinco álbuns que permitem uma visão completa a respeito do movimento.
Também prestigiaram o evento integrantes do Conselho Superior da Magistratura, desembargadores Silvia Rocha (corregedora-geral), Roberto Nussinkis Mac Cracken (presidente da Seção de Direito Privado) e Luciana Almeida Prado Bresciani (presidente da Seção de Direito Público); o subchefe de gabinete da Defensoria Pública-Geral do Estado de São Paulo, Dener Luiz Silva, representando a defensora pública-geral; o vice-presidente e corregedor do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, desembargador Roberto Maia Filho, representando o presidente; o corregedor-geral da Justiça Militar, desembargador militar Ricardo Juhás Sanches, representando o presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo; o ex-presidente do Tribunal de Justiça Militar e diretor do Departamento de Segurança da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), Antonio Augusto Neves, representando o presidente da Apamagis; o chefe da Assessoria Policial Militar do TJSP, coronel PM Marco Antônio Pimentel Pires; o comandante da Academia do Barro Branco, coronel PM Adalberto Gil Lima Mendonça; o chefe da Assessoria Policial Civil do TJSP, delegado Tiago Antonio Salvador; o presidente da Sociedade Veteranos de 32 – MMDC, Carlos Romagnoli; o assessor jurídico especial da SPPREV, José Carlos Novais Júnior, representando o presidente; civis, militares, magistrados e servidores.
N.R.: texto originalmente publicado no Dejesp de 1/7/26
Comunicação Social TJSP – RM (texto) / PS, KS e LC (fotos)
N.R.: texto originalmente publicado no Dejesp de 1/7/26
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