Tribunal recebe exposição itinerante “Arte Sacra Para Ver e Sentir”
Exposição sensorial com réplicas do Museu de Arte Sacra.
O Tribunal de Justiça de São Paulo inaugurou, ontem (20), no Palácio da Justiça, a exposição itinerante “Arte Sacra Para Ver e Sentir”, do Museu de Arte Sacra de São Paulo. A coleção poderá ser visitada até 27 de setembro e reúne cerca de 60 réplicas de obras pertencentes ao acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP), produzidas a partir de escaneamento digital em alta resolução e impressão 3D.
A exposição propõe uma experiência sensorial inédita – daí o nome “para ver e sentir” – já que, em razão da tecnologia empregada na produção das peças, as esculturas podem ser tocadas pelo público. Além do toque, que permite uma outra relação com as peças, a mostra conta, ainda, com recursos de acessibilidade como legendas em braile e QR Codes com audiodescrição e tradução em Libras, garantindo uma visita inclusiva para pessoas com deficiência visual, auditiva e para todos os visitantes.
Entre os destaques estão a réplica de Nossa Senhora das Dores, obra de Aleijadinho; Santa Maria Madalena, de Francisco Xavier de Brito; além de esculturas atribuídas a Frei Agostinho de Jesus e Frei Agostinho da Piedade.
Durante todo o período da exposição, uma educadora do Museu de Arte Sacra de São Paulo permanecerá no Palácio da Justiça para orientar o público.
Abertura
Na abertura da exposição, o presidente da Comissão de Gestão da Memória e coordenador do Museu do TJSP, desembargador Octávio Augusto Machado de Barros Filho, destacou a parceria profícua entre o Tribunal e o MAS-SP e observou que a possibilidade de sentir as peças possibilita a inclusão de pessoas com deficiência, “de maneira que todos os visitantes poderão fazer uma análise comparativa entre os cânones visuais produzidos nos séculos 17, 18 e 19”. “O estilo barroco brasileiro criou uma forma bastante peculiar para expressar devoção e arte, que mistura erudito e popular, sagrado e profano, além do sincretismo religioso”, sintetizou.
A diretora de Planejamento e Gestão do MAS-SP, Tatiana Ricci, também evidenciou a importância da acessibilidade na mostra que, para ela, cumpre um papel democrático e tira a arte do isolamento. “Falar de Justiça e Cultura na construção da cidadania é falar sobre democracia. É falar sobre portas abertas, como nos fez este Tribunal. É garantir que o Estado permaneça a todos, sem exceção. Tocar a obra de arte rompe a barreira histórica do ‘não toque’ e convida não somente ao público com deficiência visual ou baixa visão, mas a todos os demais, a sentir as formas, os volumes e a materialidade da nossa história sacra, junto com a tradução em Libras e audiodescrição, garantindo autonomia e respeito à pluralidade de nossos públicos.”
Para a coordenadora de Museus Ana Paula Pacheco Godoy, que no evento representou a secretária de Estado da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, a exposição traduz de maneira concreta princípios fundamentais para a política cultural no Estado de São Paulo: preservação e ampliação do acesso e a criação de novas formas de aproximação entre o patrimônio cultural e a sociedade. “Preservar o acervo do Museu de Arte Sacra significa criar condições para que esse patrimônio permaneça vivo e possa ser conhecido, interpretado e ressignificado por públicos cada vez mais diversos. Quando o museu ultrapassa seus próprios espaços e estabelece parcerias como essa, nós ampliamos a circulação do acervo, do patrimônio, e criamos oportunidades de encontro com a cultura. Ao mesmo tempo, aproximamos instituições públicas que compartilham responsabilidades fundamentais para a sociedade”, afirmou.
Encerrando a cerimônia, o presidente do TJSP, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, celebrou o momento especial vivido pelo Tribunal, que recebe parte do acervo do MAS-SP, um dos mais extensos do país, e evidenciou a importância da ocasião, pois é uma forma de que a coleção circule e que pessoas que não teriam acesso às obras passem a conviver com esse material. “A ideia é levar essa exposição aos fóruns do interior do estado, e essa parceria vai continuar”, disse. Em seguida, lembrou que magistrados julgam todos os dias processos envolvendo direitos fundamentais e que a cultura é um deles. “Quando se promove a cultura, melhoramos o padrão social e a inclusão das pessoas, o que tem reflexo imediato e significativo em outros valores fundamentais. Os valores e direitos são interligados entre si. Por isso, receber essa coleção é uma prova de um direito que é básico de todos: o direito à cidadania”, declarou. Após os discursos, o Coral do Museu de Arte Sacra se apresentou no espaço, seguido pelo Duo Paschoal.
Também participaram da abertura integrantes do Conselho Superior da Magistratura, desembargadores Luís Francisco Aguilar Cortez (vice-presidente), Silvia Rocha (corregedora-geral da Justiça), Roberto Nussinkis Mac Cracken (presidente da Seção de Direito Privado); o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, desembargador José Antonio Encinas Manfré; o vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, desembargador federal André Nekatschalow, representando o presidente; o presidente da União Internacional de Magistrados e integrante do Conselho Consultivo e de Programas da Escola Paulista da Magistratura (EPM, desembargador Walter Rocha Barone; a ouvidora do TJSP, desembargadora Rosangela Maria Telles; o presidente do Instituto Paulista de Magistrados, juiz Ademir Modesto de Souza; a diretora do Departamento de Cultura da Associação Paulista de Magistrados, Danielle Martins Cardoso, representando o presidente; o chefe da Assessoria Policial Militar do TJSP (APMTJ), coronel PM Marco Antonio Pimentel Pires; e demais magistrados, integrantes do Ministério Público de São Paulo, defensores públicos, advogados, autoridades civis e militares e servidores.
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Serviço
“Arte Sacra Para Ver e Sentir”
Data: até 25 de setembro, de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 13 às 17 horas; e nos dias 26 e 27 de setembro (sábado e domingo), das 9 às 17 horas.
Local: Palácio da Justiça (Salão dos Passos Perdidos) – Praça Clóvis Bevilacqua s/n
Entrada: Gratuita
Comunicação Social TJSP – AA (texto) / KS e PS (fotos)
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