Homenagem do TJSP ao Dia Internacional da Mulher

Conheça a história de mulheres do Judiciário.

 

        Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Tribunal paulista homenageia aquelas que são fundamentais para que a Justiça prevaleça e a cidadania seja respeitada. Na Corte Bandeirante as servidoras já são mais da metade da força de trabalho (56%). Na Magistratura desde 1981, a presença feminina cresce cada vez mais e hoje são 35%. Para o TJSP a data é de reafirmação do compromisso com a busca pela igualdade entre os gêneros. Conheça um pouco da história de algumas mulheres – entre muitas – que compõem o Poder Judiciário de São Paulo. 

 

        Luzia Galvão – primeira desembargadora do TJSP. Aposentou-se em 2003

        Trabalhei por 16 anos na Magistratura: em 1989 assumi as funções de juíza do 2º Tribunal de Alçada Civil e, a partir de 1997, como desembargadora. Antes disso, por 23 anos, fui membro do Ministério Público, onde atuei como promotora e como procuradora. Merece destaque o período de sete anos em que atuei no 2º Tribunal do Júri, pois fui a primeira mulher representando o MP. O ambiente de trabalho sempre foi muito agradável, com alguns percalços que, para mim, nem merecem menção, porque considero insignificantes. As mudanças na sociedade em geral, em seus usos e costumes, em sua modernização, é que foram responsáveis pelo aumento do número de mulheres no Ministério Público e na Magistratura. Por outro lado, se as primeiras não tivessem merecido aprovação da instituição e da sociedade, outras não teriam vindo para a carreira. Nunca tive dificuldades no ajuste entre a vida privada e o trabalho. Casei com um integrante do Ministério Público, o que facilitou a compreensão das minhas atividades profissionais. Isso e muito amor permitiram uma vida em paz. Horários fixos, nunca tivemos. E nenhum de nós teria apreciado uma vida de rotinas preestabelecidas. Não vejo barreiras para as mulheres.  Estudo, competência e dedicação à carreira escolhida, além de um estilo de vida compatível com seu trabalho, bastam. Em resumo, se a mulher tem vontade e competência, não há barreiras intransponíveis.

 

        Maria Cristina Zucchi – desembargadora, integrante do Órgão Especial e da 34ª Câmara de Direito Privado

        Completo 19 anos de Magistratura em agosto, nomeada pelo 5º Constitucional, Classe Advogado. Naquela época havia um acúmulo de processos, o Tribunal apresentava uma estrutura diferente, principalmente se considerarmos a importância da informática. Havia apenas seis juízas no 2º grau e, com o passar do tempo, de forma muito paulatina, este número cresceu. Hoje temos 31. Creio que contribui para a mudança do cenário na medida em que cumpri meu trabalho atingindo as mesmas metas alcançadas pelos colegas homens, por me interessar pelos problemas do TJSP e porque procurei inserir estruturas de suporte para a atividade jurisdicional, como a capacitação de conciliadores e mediadores. Conciliei a carreira com as atribuições da vida pessoal com muita luta, carinho e amor. Desempenhar as tarefas de mãe e magistrada demandou sacrifício e renúncia, mas também realização e conquistas. Nunca considerei que uma excluía a outra. Hoje a mulher magistrada, a mulher funcionária, a mulher esposa já vê o caminho com outra mentalidade, pois a maioria quer trabalhar, precisa de uma estrutura de apoio por trás de sua atividade, tem uma postura de consciência das necessidades e direitos, não aceita mais uma situação de inferioridade e desprezo ou discriminação. E o Poder Judiciário já sabe com que valores a magistrada pode contribuir para mais eficiência e resultados de sua atividade.

 

        Marlene Debes Costa – servidora com mais tempo de serviço no TJSP.  Atualmente trabalha no Anexo Judiciário do Cratod

        Quando entrei no Judiciário, ainda no extinto 1º Tribunal de Alçada Civil, tinha 22 anos de idade. Comecei datilografando o resultado dos julgamentos nas tiras e fichas de processos. Predominavam os antigos carimbos e máquinas de escrever mecânicas. Após alguns anos, quando assumi uma diretoria, a equipe era basicamente formada por mulheres, muitas delas eram arrimos de família. Na época, eu já era mãe de um menino de dois anos e estava grávida do segundo. Com a responsabilidade a mim confiada, fiquei em dúvida e receosa se daria conta de conciliar carreira e vida particular. Nessa fase, pude contar com a ajuda preciosa de minha mãe. Deixei a diretoria em 2011, após muitos anos de dedicação e no intuito de me aposentar para o merecido descanso. Afastei-me por dois anos e, sentindo que ainda poderia ser útil, aceitei o desafio de trabalhar no Anexo Judiciário do Cratod, onde existe o Centro de Atendimento Psicossocial (Caps), para orientar familiares de usuários e dependentes químicos que se socorrem do serviço.

 

        Lucia Helena Cavalcanti Hatanaka – servidora com mais tempo de TJSP no interior do Estado. Atualmente no 2º Ofício Cível de Suzano

        Em 1974, quando ingressei no TJSP, tínhamos poucos funcionários, mas era um ambiente acolhedor, e o número de servidoras no Judiciário já era expressivo. Trabalhávamos com carimbos, máquinas de escrever e muito papel, sem internet ou tecnologia. Sempre fui muito dedicada e incentivada pelos meus superiores. Para conciliar vida profissional e pessoal contava com meus colegas de trabalho, que são o alicerce da minha vida profissional e, ainda, com a ajuda e o apoio essenciais de meu esposo e da minha mãe, que me encorajavam a prosseguir na luta diária. Hoje sou coordenadora e, para mim, o respeito e a consideração entre os colegas são essenciais, porque ninguém faz um bom trabalho sozinho. Não importa a função, a atividade de cada um é igualmente importante para que a Justiça seja feita, em especial para os menos favorecidos. Ao longo de minha carreira, sempre procurei  trabalhar com dedicação para atender a todos de forma igual, com clareza e respeito.

 

        Vanessa Mateus – juíza do TJSP. Atualmente preside a Associação Paulista de Magistrados

        Assumi a carreira da Magistratura em 2000. Encontrei um ambiente muito acolhedor e fiz amigos valiosíssimos. Passei por regiões onde os juízes de todas as comarcas eram unidos e sempre dispostos a se apoiarem, inclusive emocionalmente. Na Capital, passei a frequentar o ambiente associativo, que também me trouxe um sentido de unidade do Poder Judiciário muito importante. Nesses 20 anos, percebi um aumento considerável de mulheres na carreira. No meu concurso, por exemplo, já éramos 37 mulheres e 33 homens. Ao longo do tempo, vi aumentar o número de desembargadoras, vi uma delas ocupar o Órgão Especial... Agora estamos chegando também aos postos de dirigentes associativos, assumindo pela primeira vez a Presidência da Apamagis nos seus 67 anos de história. Para a mulher é difícil conciliar a carreira com as atribuições da vida pessoal. Acho, aliás, esse o principal obstáculo a que as mulheres ocupem os espaços de poder. A vida familiar nos toma, felizmente, uma parte considerável do nosso tempo. A grande mudança nessa ocupação de espaços de poder é, justamente, as mulheres conseguirem dividir as tarefas que desempenham na vida pessoal de forma igualitária. As mulheres ainda assumem muito mais funções, o que dificulta conciliar as duas possibilidades.

 

        Jéssica Pedro – juíza substituta, magistrada mais jovem do Estado

        Tomei posse em 2018. Fui a primeira colocada na prova oral do meu concurso, uma das fases mais temidas pelos candidatos, e a colocação me fez ter certeza do caminho que escolhi. Ao final das avaliações, com uma prova de títulos, tivemos como primeira colocada uma colega, mulher negra, que deu ainda mais diversidade e brilhantismo ao grupo selecionado pela banca. Foram muitas as adversidades iniciais na carreira, como em todas as etapas da vida. Assumi uma comarca marcada por uma postura machista, que muito me sensibilizou pela massa de processos envolvendo crimes de violência contra a mulher. Por essa razão, organizei o evento “Todos por Elas”, com incentivo do TJSP e de organizações sociais locais. Sem dúvida, o reconhecimento da mulher jovem em cargos de alto escalão – na área pública ou privada –, é a mais difícil adversidade a ser enfrentada. Dia após dia, ainda me deparo com situações cotidianas de “estranhamento” de uma mulher jovem no exercício de um poder. Contra isso, entendo que não nos cabe nada além de buscar a autoridade pelo exemplo: de compromisso, de competência e de seriedade. É sempre muito difícil conciliar tantas responsabilidades do dia a dia, mas viver não é esperar o momento em que as responsabilidades diminuirão. Viver é sentir felicidade no cumprimento de seus deveres pessoais, familiares e profissionais, dia após dia.

 

        Comunicação Social TJSP – CA (texto) / JT (arte)
        
imprensatj@tjsp.jus.br

 

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