OE manifesta solidariedade à Polícia Militar de São Paulo

        Na sessão realizada ontem (12), o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, por votação unânime, aprovou o envio de Voto de Solidariedade à Polícia Militar, que será encaminhado hoje, ao governador Geraldo Alckmin, ao secretário de Segurança Pública Fernando Grella Vieira, ao comandante-geral da Polícia Militar coronel PM Benedito Roberto Meira, ao chefe da Assessoria Policial Militar do TJSP, coronel PM Renato Cerqueira Campos e a Wanderlei Paulo Vignoli, policial agredido durante protestos na última terça-feira.
        Na mensagem, os integrantes do Tribunal de Justiça lamentam o ocorrido e ressaltam a relevância dos serviços prestados pela corporação junto ao Poder Judiciário e à população paulista.
        Os desembargadores da Seção de Direito Privado III, aderindo à proposição formulada pelo desembargador Alberto de Andrade Neto, também enviaram ao comandante-geral da Polícia Militar, coronel PM Bendito Roberto Meira, voto de louvor a ser consignado na folha funcional do soldado Wanderlei Paulo Vignoli.  

        Leia a reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo na data de hoje (13).

        Por André Monteiro e Giba Bergamim Jr.


       'Lincha, mata', ouviu policial apedrejado

        PM conta como foi atacado por manifestantes após se atracar com um pichador, em agressão filmada pela Folha

        O policial chegou a apontar sua arma, mas não atirou porque "não era o limite para usar arma de fogo"

        "Lincha, lincha. Tira a arma dele. Mata", foram as frases ditas por manifestantes, segundo o soldado Wanderlei Paulo Vignoli, 42, que foi cercado e agredido durante protestos na Sé, anteontem.

        Ele escapou de ser linchado após se atracar com um jovem que pichava o prédio do Tribunal de Justiça, como mostra vídeo publicado no site da Folha.

        Ferido, apontou sua arma para os manifestantes para tentar contê-los, sem atirar. Depois, foi ajudado por outros integrantes do protesto e conseguiu fugir. Dois suspeitos de atacá-lo foram detidos.

        Vignoli teve um dia de popstar entre os colegas. Deu entrevistas, recebeu elogios públicos do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de Paris, e foi convidado para almoçar com o comandante da PM.

        Solteiro e sem filhos, ele mora no centro, diz não ter carro e andar de ônibus e metrô. "Só não pago tarifa quando estou fardado."

        Folha - O que aconteceu?
        Soldado Wanderlei Paulo Vignoli - Atuo na segurança do Tribunal de Justiça e nosso dever ali é proteger a saída de funcionários, desembargadores e juízes e também a população que sai do metrô e passa pela região.
        Além disso, evitar danos ao patrimônio. Quando tentava impedir que uma pessoa pichasse o muro do TJ, 20 ou 30 pessoas começaram a jogar pedras e objetos em mim.
Quando levei a pancada, fiquei meio atordoado, sem saber o que estava acontecendo. Logo eu escutei: "Lincha, lincha, toma arma dele. Mata".

        Você pensou em atirar?
        Somos treinados para manter o autocontrole, só atirar no limite. Entendi que, mesmo tendo sido atingido com pedradas, não era o limite para usar arma de fogo, até porque nenhum manifestante usou arma de fogo. Temos que usar a voz, a intimidação, foi o que eu procurei usar.

        Teve medo de morrer?
        Com certeza. Essa foi a situação de maior gravidade pela qual passei. Quando escutei "lincha e mata", pensei que estava complicado.

        Você chegou a apontar a arma.
        Isso, para dizer: "Não se aproxime". E também pensei que no meio daquela manifestação estavam passando diversas pessoas que voltavam do trabalho e que não tinham nada a ver com ela.
Acredito que a grande maioria foi ali para depredar os prédios públicos, o comércio e até as pessoas que tentaram impedir a ação deles.

        Você estava sozinho.
        O treinamento que temos é que o PM não deve ficar só, mas acabou sendo uma situação atípica. Pensei que, se corresse, levaria chutes. Se caísse, ficaria mais difícil conter.

        Você se atracou com o rapaz?
        O rapaz que estava pichando ficou assustado. Quando percebeu que levei a pedrada, ficou sem reação. Não percebi agressão dele contra mim.

        Você percebeu que outro grupo de manifestantes o ajudou?
        Percebi que os PMs que fazem parte do TJ me cercaram com mais umas três pessoas. Mas acredito que pode ter havido, sim, uma meia dúzia de manifestantes que viu que acabou saindo do limite e tentou, sim, me ajudar.

        O que acha dos protestos?
        Nem a instituição nem eu somos contra manifestação. Quando a PM segue o protesto não é para reprimir, mas para manter a segurança. Mas há pessoas maldosas no meio que estão subvertendo esse direito.

        Você anda de ônibus?
        Uso ônibus ou metrô. Moro aqui na região central e não tenho carro, mas sei dirigir.

        Você paga condução?
        Pago. O PM só não paga fardado.

        O que você acha da passagem a R$ 3,20?
        Quem pode dizer isso é especialista.

        Os manifestantes pedem tarifa zero. O que você acha?
        Eu também gostaria, né? Mas acho que nem os países de Primeiro Mundo chegaram a esse patamar. A restauração do TJ custou mais de milhões e demorou um ano. Eles têm que entender que esse dinheiro [para restaurar] vai sair do bolso da população.

        Comunicação Social TJSP – RS (texto) / AC (foto)
        imprensatj@tjsp.jus.br

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